terça-feira, 27 de maio de 2014

Um mero poema sobre um agente exógeno essencial; O Rio! "Soltando sedimentos".

Soltando sedimentos

Em cada curva de meu curso deixo um pouco de meus sedimentos.
Carrego cansado um fardo, transporto rochas por toda a vida e nem ao menos respeitado sou.

Humanos não se cansam de me explorar, degradar e por vezes me machucar, mesmo assim, continuo meu curso e comigo levo todos os meus sedimentos.

Escavar e transformar a paisagem são minha função, sou o que os geógrafos chamam de agente exógeno, e apesar do nome importante, sou apenas um rio, um mero rio.

Conheço colegas que sofrem o mesmo ou tão mais que eu! Eles são retificados e por vezes perdem até seus cabelos, suas matas ciliares.

Assim como humanos possuem sentimentos também possuo minhas angústias, sou surrado diariamente por irresponsáveis que não menos sabem meu nome, e que depositam em mim todo seu lixo.

Mesmo com tantos problemas, deixo em meus meandros sedimentos, assim como humanos por vezes tristes deixam suas lágrimas saudosistas ao léu.
Meus sedimentos são fragmentos rochosos inanimados e compostos por diversos minerais, porém não se iluda, por a cada deposição deixo um pouco de minhas marcas e lágrimas.

Ecoa em mim o silêncio dessa solidão
E em cada dia da sua vida você vai chorar

E se arrepender definitivamente de não me preservar.



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